Precisamos de engajamento para hoje mas não se engaja para amanhã.

Você pode não saber direito o que é, mas você deseja que seu público esteja engajado. Não interessa quem seu público seja você quer que ele trabalhe ao seu favor.

Pesquisas apontam que 87% dos funcionários no mundo não estão engajados, que 93% dos gestores consideram isto primordial, mas que menos da metade faz alguma ação efetiva para aumentar o engajamento.

Ao longo destes quase 3 anos de Santo Caos sempre ouvimos de nossos clientes e nas centenas de reuniões com grandes empresas que fizemos que é difícil engajar o consumidor, que adorariam que seus funcionários produzissem 100% do tempo, que os líderes fossem dedicados e nunca pensassem em outra oportunidade.

E aí sempre notamos uma coincidência, o prazo. Dúvida? Só de ler este texto você já pensou pelo menos 3x nos emails na sua caixa de entrada. Tudo é para ontem, estourou uma crise nas redes sociais e aí lembram que precisam do cliente engajado, a meta anual está chegando ao fim e precisam que os funcionários passem a ser criativos e comprometidos nos últimos meses do ano. Nessa hora começam a pensar que o engajamento é importante.

No contexto atual onde temos crise de confiança somado a uma crise econômica fortalecer as relações é essencial e para nós o engajamento é a mais forte relação entre pessoas e marcas/empresas. Você não ama uma empresa você se engaja com ela.

Pode não parecer, mas já estamos em julho, em breve começaremos a pensar nos orçamentos do próximo ano e também aumentam as cobranças por resultado de 2016, nessa hora somos muito procurados. Não vou negar para a minha empresa é ótimo, mas o engajamento que você precisa para ontem não acontece para amanhã.

Engajamento é uma relação, é o conhecer, se comprometer, dar voz e reconhecer o público da empresa, isto leva tempo, exige adaptação de cultura (raramente de estrutura) e humildade para ouvir reconhecer erros e mudar.

A boa notícia é que dá para começar a engajar em qualquer momento e os resultados são crescentes. O objetivo é bater meta em um ano complicado? Comece agora. Você quer ser líder de mercado daqui 3 anos? Comece agora. Quer estancar o mal resultado? Diminuir o turnover? Quando acha que deve começa? A-G-O-R-A

Qualquer empresa são pessoas produzindo e vendendo para outras pessoas (ou aquela empresa B2B vende para uma máquina?). E enquanto você não começar a conhecer e monitorar profundamente o comportamento dos seus públicos (internos e externos) será difícil engajar. Você precisa saber que os desejos deles mudam e que a cultura e os processos devem sempre ser adaptados a eles, não o contrário.

Você está disposto a engajar? Ou prefere esperar o fim do prazo para começar a pensar nisto?

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Parece que estou trabalhando, mas estou lendo isso aqui.

Somos todos diferentes, certo? Cada pessoa funciona de um jeito: uns preferem a manhã que a noite, outros precisam de música para se concentrar. Tem aqueles que só conseguem fazer uma coisa por vez e outros que fazem várias coisas ao mesmo tempo (se quiser saber mais sobre isso é só dar uma lida aqui, ou aqui, ou pensar por que o Good.Co existe).

Pensando nisso, é interessante analisar os empregos. Um emprego é basicamente alguém te contratando para fazer determinadas funções. Essas funções podem ser delimitadas por tempo, como um segurança ou porteiro, ou por metas de trabalho, ou seja, você deve fazer algo em troca do que lhe é pago. A questão é que a grande maioria dos empregos têm horário fixo, então muitas vezes não importa se você terminar sua função em 2h, terá que cumprir as 8h padrão (ou mais). É ai que nos perguntamos, por que?

O objetivo aqui não é discutir a necessidade de um local de trabalho, do trabalho em grupo e por aí vai. Isso é uma outra discussão, com outros pontos positivos e negativos (quem não se lembra do caso do Yahoo). Mas quem disse que, em plenos 2015, temos que trabalhar 8h?

PS: se quiser saber a história de quem deduziu que o ser humano deveria trabalhar 8h/dia, recomendo esse artigo

Essa questão surgiu com a leitura desse ótimo artigo da Fast Company, que basicamente fala um pouco sobre um experimento da Universidade de Washington que mostrou o que todos nós sabemos: não importa se eu e você trabalhamos a mesma quantidade de horas e com a mesma efetividade, quem chega antes ganha: terá uma percepção muito melhor dos companheiros, dos chefes, mais chance de ser promovido, e por ai vai. Isso me lembra as discussões intermináveis que tinha nas minhas reuniões de feedback em agência, do porquê eu tinha que chegar as 10h se chegando as 11h eu conseguia fazer tudo que eu precisava. Mas e se alguém precisar de você? Inventaram um negócio chamado tecnologia, podemos conversar, nos ver, até compartilhar telas! Incrível, não?

Empresas e até o homem mais poderoso do mundo tentam incentivar o horário flexível, mas as pessoas não estão preparadas para isso.

A questão não é bem assim. Empresas e até o homem mais poderoso do mundo tentam incentivar o horário flexível, mas as pessoas não estão preparadas para isso. Existe o jogo do poder, as personas, tudo aquilo que envolve o ambiente de trabalho. Nesse jogo, mostrar dedicação é importante. E na maioria das empresas isso significa chegar mais cedo. Uma das frases que mais assustam desse artigo é “So in the eyes of a boss, a late-arriving worker may be no different from a bad worker”. Quantas vezes aquele que chega mais tarde fica ouvindo piadinhas? Quantas vezes você foi embora mais cedo e gritaram “êêê meio período!”. E quantas vezes essas pessoas que falavam isso trabalharam menos, ou fizeram menos suas tarefas do que você?

Da ideia de “não importa se eu e você trabalhamos a mesma quantidade de horas e com a mesma efetividade, quem chega antes ganha”, partimos para o “não importa se fazemos o mesmo serviço, quem fica mais tempo no trabalho ganha” e para o “não importa se batemos as mesmas metas, quem parece trabalhar mais ganha”.

planilha-santo-caos

Parece uma planilha mas é o Facebook disfarçado.

Parecer trabalhar. Essa é a grande questão.

Mostrar-se compenetrado, interessado, dedicado, é crucial para uma vida profissional. Mas, como as pessoas são diferentes, têm diferentes ritmos, elas fazem seus trabalhos de diferentes formas e diferentes tempos. Só que todos devem parecer estar focados, interessados e dedicados, ficando no trabalho suas 8 horas diárias. Obviamente nem todo mundo se dá bem com isso. Se eu acabo o trabalho em 4 horas mas sou obrigado a ficar aqui 8 horas, o que vou fazer? Pedir mais trabalho? Tá maluco?

Os hackers do trabalho inventam milhares de formas de parecer estar trabalhando, para que cumpram aquele horário pelo qual são pagos para fazer nada. Fazer as coisas de forma mais lenta, ficar no Facebook, 9gag, almoços intermináveis, pausas gigantescas, sonecas no banheiro. Se você não acredita, existem até guias e sites especializados (1 e 2) pra isso (use com moderação). Lembro de um cara que, quando o fizeram trabalhar no feriado, adiantou o trabalho em um dia normal (pois falava que demorava 6 horas pra fazer algo que fazia em 2, então sobrava tempo produtivo) e programou o e-mail para ser enviado no final do feriado, fazendo todos acharem que ele trabalhou que nem louco durante o dia de folga.

Como Fingir Estar Ocupado no Trabalho Sem Realmente Trabalhar
Se você está sendo pago para fazer alguma coisa, você deve fazê-la, e fazê-la bem feita. Mas é sempre assim tão simples…pt.wikihow.com

Antes que você, empresário, pense “por isso que bloqueei o Facebook da minha empresa e obrigo todo mundo a bater ponto!”, já te adiando que não sabe de nada, inocente. Zueira never ends, e não existe brecha física ou virtual que não possa ser burlada. O “parecer trabalhar” cria uma relação nada saudável entre funcionários e empresas. A empresa perde dinheiro, o funcionário perde tempo, todos pedem produtividade e qualidade de vida.

Mas como liberar horários flexíveis, aceitar as pessoas como elas são, sem prejudicar o dia a dia e o trabalho em grupo? Essa é a parte tensa. Primeiro, você tem que ter um belo planejamento de tarefas. Se eu tenho bem detalhado sobre o que preciso fazer, não vou ter que ficar esperando meu chefe pra falar comigo. E consigo me planejar pra fazer em X horas, seja de onde for. Segundo, defina bem metas. Alguns vão pensar “pô, mas sempre tem coisa pra fazer, então nunca poderia ficar ocioso!”. Se fosse assim trabalharíamos 24h por dia. Com metas você define o que quer de cada funcionário, e ele sabe o que tem que fazer, onde chegar. Terceiro, você vai precisar de reuniões, então precisará inevitavelmente de horários em comum. E para aqueles (como eu) que acham que um espaço de trabalho onde as pessoas convivam e trabalhem juntos é essencial, você pode definir horários e dias em comum pra todos estarem presentes.

Aqui na Santo Caos a gente combina que as tardes são horários em comum.

Com isso, eu, que começo a trabalhar tarde, e o Daniel, que prefere ir embora mais cedo, conseguimos fazer nossos horários diferentes mas ainda assim conviver e trabalhar juntos. Sem querer parecer trabalhar mais que o outro, simplesmente fazendo com responsabilidade e metas.

Por fim, talvez a palavra-chave pro fim desse mal que é o “parecer trabalhar” seja responsabilidade. Sim, nem todos têm. Sim, você pode perder alguns prazos nesse processo. Pode parecer errado, mas se confiar nas pessoas elas vão retribuir. Com o tempo, poderíamos mudar o mercado, e assim o perfil dos funcionários, tornando-os responsáveis por default. E acredite, talvez as empresas que não conseguirem acompanhar isso também não conseguirão acompanhar as próximas gerações.

Empresas carentes, abraços corporativos (ou um ensaio sobre a bullshitagem).

Imagine que você é um funcionário de RH ou comunicação de alguma empresa por aí. Como todas empresas do mundo vocês tem problemas, e um dia ouve falar de uma técnica inovadora para tornar os funcionários mais próximos, aumentar o senso de grupo e diminuir as brigas internas. Essa técnica é vinda da Inglaterra, já foi divulgada em veículos respeitáveis do país, e é palestrada pelo presidente da entidade que trouxe a técnica pro Brasil. Quase perfeito para a sua convenção ou para um treinamento interno, certo? E se eu te falar que essa técnica se chama “abraço corporativo”?

Essa é a premissa do documentário “O Abraço Corporativo”. Lançado em 2009, ele mostra como um ator, partindo do nada, se passou por consultor de RH e, além de aparecer em grandes veículos de comunicação, foi contratado para palestrar em diversas empresas. Essa grande pegadinha foi feita com o pensamento de ampliar a discussão sobre a imprensa que não averígua veracidade das informações e das fontes, mas também rebate no nebuloso mercado motivacional (palestras/dinâmicas/consultorias/etc). Isso me levou a pensar sobre um ponto específico: a bullshitagem.

Bullshitagem, segundo a minha definição, é uma forma de complicação e enrolação de algo que é relativamente simples.

Tudo bem que qualquer coisa que queira ser popular precisa de um nome, mas existe um grande mercado de complicação de tudo que abre brechas para a picaretagem. Gamification, live marketing, agência 360͒, 2.0, design thinking, neuromarketing,  storytelling, são alguns exemplos de como a bullshitagem vende, mas pode atrapalhar gente séria e técnicas realmente interessantes. Vamos pegar o exemplo do storytelling. Contar histórias é uma das coisas mais antigas do mundo, era um hábito muito anterior à escrita, e tivemos centenas de grandes mestres que desenvolveram diversas formas de se contar uma boa história. A comunicação sempre utilizou isso, mas de repente ela tornou-se a palavra da moda. Assim, automaticamente, contar histórias virou o “storytelling”, um Eldorado da comunicação. Não quero discutir o storytelling, mesmo porque eu acredito que, bem aplicado, é uma ferramenta básica para qualquer comunicador ou empresa. Mas a partir daí o termo acabou caindo nas graças do mercado e acabou que pode ter diversos significados, diversas aplicações, dependendo do que o “especialista” defenda.

A bullshitagem transforma coisas claras em vagas, abrindo diversas portas para a picaretagem, sua melhor amiga. Como tudo que é novo é meio obscuro, muita gente sabe um pouco de alguma coisa e acaba se aproveitando de uma onda de fama para surfar. Pense em quantas palestras inúteis de social media, uma das últimas queridinhas do mercado, você já viu? Quantos ~especialistas~ em social media surgiram por entender um software de monitoramento ao invés de entender o comportamento das pessoas nas redes sociais? Não demora e existirão termos para especialistas em computação vestível, internet of things, e por ai vai. Isso não é uma exclusividade das empresas, o mercado acadêmico sofre com isso há anos. O academiquês, que talvez seja um primo mais velho da bullshitagem, também acaba afastando um conteúdo potencialmente interessante da maioria das pessoas.

E como fugir da bullshitagem?

Não acredito muito no princípio de que algo bom é algo que você consiga explicar em 1 minuto. As coisas mais novas que eu ouvi muitas vezes não foram fáceis de entender. E algumas das coisas mais legais que eu já fiz foram as mais complicadas de explicar.

Por isso, uma maneira de fugir da bullshitagem é pedir para explicarem. É dificil sustentar uma bullshitagem por minutos de conversa.

O ponto é que as pessoas e o mundo estão mudando tão rápido que é muito difícil de acompanhar. As pessoas mudam, os clientes mudam, os funcionários mudam, a economia então nem se fala. Por isso as empresas ficam carentes. E como qualquer pessoa carente, a chance de procurar ajuda e cair na opção que parece mais atrativa, que oferece soluções mágicas, é grande. Portanto quanto menos bullshitagem, quanto menos hype, mais honestos seremos. E quanto mais honestidade, menos abraços corporativos serão necessários.

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